30 outubro 2009

CINEMAS: A volta do velho guerreiro

Documentário "Alô, Alô, Terezinha!", que estreia nesta sexta, dia 30, mergulha na alma do povo para retratar um dos maiores artistas da TV brasileira


Distante do convencional, o diretor Nelson Hoineff não constrói o documentário "Alô, alô, Terezinha!" — premiado no Cine PE como melhor filme (vitorioso também na categoria do júri popular) — a partir da biografia do comunicador Chacrinha, morto aos 70 anos, em 1988. Com 300 horas de material bruto, o foco está mais na influência profissional que ele exerceu sob artistas da linha de Roberto Carlos (o cantor mascarado) e Fábio Jr. A robustez da produção vem do clima eufórico de revival de época e da adoção do modelo invasivo que o Velho Guerreiro, na cartilha dos animadores de pastoril (como decifra o entrevistado Alceu Valença), mantinha na interação com artistas e espectadores.

Sem grandes declarações ou revelações, o filme joga com o lado B do sucesso, reservado a 18 chacretes (que, num saudosismo, se apertam nos maiôs da época) e a um punhado de ex-calouros, ainda contaminados pelos fracassos derivados das buzinadas do Chacrinha, de títulos do gênero o “homem mais feio do Brasil” e da conquista dos troféus Abacaxi. Gordos e desdentados tinham vez na telinha, como reforçam as desleixadas (em termos de preservação) imagens do longa. Longe da “crueldade natural” (pelo que observa Gilberto Gil) do Chacrinha, a ex-jurada Elke Maravilha sacramenta elogios: “Ele tirava a gente do limbo e fazia a gente voar”.



Neste compêndio que examina a fugacidade da fama e se deslumbra com sonhadores derrotados, as chacretes são um caso à parte: em meio à insolúvel questão se, de fato, as vorazes dançarinas faziam programas, Vera Furacão (muito sincera e recolhida em Búzios), por exemplo, lamenta a desilusão do amor por um médico homossexual. De relevante, além do resgate do teor caótico evocado por Chacrinha, há o provocador Agnaldo Timóteo, que desautoriza João Gilberto e contesta a Tropicália e a Bossa Nova, e uma generosa Rita Cadillac, que encoraja o raio-x pessoal comandado por um fã. Com "Alô, alô, Terezinha!", Hoineff desperta a curiosidade (não encerrada) em torno do pernambucano José Abelardo Barbosa de Medeiros.

Fonte: Correio Braziliense

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