
Cantora ficou conhecida pela música "A roda", que voltou a fazer sucesso na trilha da minissérie 'O canto da Sereia'
Uma das canções inesquecíveis que estão no set list dos blocos de axé é
A roda, da baiana Sarajane (“vamos abrir a roda/ enlarguecer”). Ela ganhou gás
ao ser interpretada pela personagem de Ísis Valverde na série O canto da
Sereia, exibida em janeiro. “Essa música sempre foi um sucesso, as crianças
adoram. Quando a minissérie estreou, muita gente se lembrou. Os que não a
conheciam passaram a gostar. O axé retrô está na moda há algum tempo. Em
Salvador, várias casas e artistas apresentam o repertório que bombou de 1985 a
2000”, revela Sarajane.
Atualmente, a
artista tem uma banda de forró chamada Flor de Canela, mas não deixa de cantar
axé. Afinal de contas, foi uma das musas do ritmo na década de 1980. “Fiquei
parada uns seis anos, é difícil retomar. Queria muito voltar a me apresentar em
Minas, onde sempre tive um público maravilhoso. Gostaria que um empresário ou
representante mineiro ajudasse a mostrar meu trabalho”, diz.
Neste carnaval,
Sarajane vai puxar blocos independentes em Salvador, além de cantar ao lado de
Magary Lord, apontado como a revelação da música baiana. A artista lamenta que
o axé já não consiga mostrar sua verdadeira essência. Para ela, é uma grata
novidade o que Magary vem fazendo com o black semba – mistura de semba de
Angola, samba do Recôncavo e black music.
“Axé mescla tudo: salsa, merengue, ritmos afros. As pessoas se
identificam com a dança, com a energia. No entanto, ele mudou muito: está mais
pop, moderno. Falta aquela coisa do negro que nós fazíamos. O Magary consegue
retratar tudo o que a gente viveu, trazendo de volta ao palco um pouco da
música negra, da dança. Ele é uma das grandes apostas da folia deste ano”,
conclui Sarajane.
ABADÁ E JABÁ
A Raga Mofe é uma
das bandas responsáveis pela retomada do ritmo em BH. Criada em 2010 com o
objetivo de resgatar o repertório brasileiro da década de 1990, ela teve como
embrião o Tchan de Raiz, em que o axé imperava. Mas, mesmo com o novo projeto,
nomes como Gera Samba, Olodum, Cia. do Pagode, Timbalada e Terra Samba não
ficaram de lado. De acordo com o vocalista Heleno Augusto, é impressionante
como o público reage ao ouvir os clássicos. “Eles fizeram parte da vida de todo
mundo, mesmo que você nunca tenha pisado na Bahia. Tocavam no carnaval do
interior, no Espírito Santo, em Cabo Frio. Por isso têm essa identificação forte”,
diz.
Heleno lembra que,
no final da década de 1980, houve profunda reestruturação da música baiana.
Blocos afros começaram a tomar as ruas e surgiram nomes como Daniela Mercury,
Margareth Menezes, Sarajane e Luiz Caldas, que levaram a Bahia para a mídia.
“Ali surgiram canções bonitas, bem executadas, que marcaram a vida das pessoas.
Por isso, elas se perpetuaram. Hoje, a coisa está mais comercial, com esse
negócio de abadá e jabá. Para mim, esqueceram-se de cuidar da composição em si.
Mas os clássicos continuam aí, tocando em qualquer carnaval”, conclui.
Fonte: Divirta-se/Uai